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Segunda-feira, Novembro 30, 2020
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COVID19-A nova historia da carochinha

Era uma vez um vírus que em Dezembro apareceu na China e depois em Janeiro disseram que ia ser uma pandemia e que toda a gente ia morrer.

Em Fevereiro as pessoas ainda não acreditavam muito nisso porque já tinham ouvido falar da gripe das aves, da gripe A, do Ebola, da doença das vacas loucas, e de mais uma porção de outras doenças que iam matar toda a gente mas afinal não.

Então em Março a Itália, e depois a Espanha, que sempre foram muito dramáticas à sua maneira, assustaram mesmo a sério toda a gente. Em Portugal o governo não sabia o que fazer, porque nenhum cientista sabia ainda nada. Mas as pessoas compraram água, comida, papel higiénico, e fecharam-se em casa ainda antes de haver decisões. Então o vírus pareceu espalhar-se bastante depressa e em Março e em Abril toda a gente teve muito medo e o tempo demorou muito a passar.

Em Maio veio a Primavera e em Portugal tudo começou a melhorar, de tal forma que ficou decidido que em Junho íamos todos viver para um sítio novo, chamado Novo Normal, cheio de máscaras, de medo, de esperanças proibidas e de ignorância disfarçada de ciência.

Então Junho chegou e na verdade tudo estava bem, porque as pessoas não morriam e a pandemia parecia ser afinal uma doença como as outras. Mas muita gente continuava a dizer “Para a semana vão ver, vamos morrer todos!”. E continuou a haver muito medo, mas cada vez mais esperanças, e cada vez menos ciência, porque a verdadeira Ciência precisa de muito tempo para ter verdadeiras certezas.

Em Julho estava tudo igual mas, à medida que diminuía o medo e aumentavam as esperanças, aumentava também o pânico infundado e a estupidez egoísta. As mesmas pessoas faziam as mesmas ameaças vãs, muitas coisas essenciais continuavam fechadas, e muitas pessoas começaram a morrer de outras doenças porque ninguém queria saber delas.

Depois veio Agosto.

 Ah, Agosto podia ter sido um mês maravilhoso porque correu tudo bem, mas continuava sempre a ouvir-se “Para a semana vamos morrer todos!”, apesar de isso ser tão improvável como as pessoas deixarem de morrer com cancro. Então começou a surgir alguma revolta nas margens da esperança que nunca se perdeu.

Em Setembro tudo continuou igual, com as mesmas pessoas a dizerem as mesmas coisas. Os mesmos cientistas, que continuavam sem saber quase nada, continuaram a falar, fazendo de conta que sabiam tudo. O mesmo governo, sem bases seguras para decidir nada, continuou a decidir tudo como se não houvesse dúvidas. As mesmas pessoas em pânico, com medo de morrerem, continuaram a desprezar todas as outras pessoas.

O mesmo vírus que ia matar toda a gente, mas não matava quase ninguém, continuou a não matar quase ninguém. Então apareceram muitos seres estranhos e inúteis chamados assintomáticos (e ninguém sabia o que fazer com eles) e cresceu cada vez mais a convicção de que todo o drama estava a ir longe demais.

Agora chegou Outubro.

O futuro é tão incerto como era incerto o futuro no mesmo dia do ano passado – só que no ano passado ninguém pensava nisso. Vai de certeza morrer imensa gente no Outono e no Inverno, porque as pessoas desde sempre tiveram esse estranho e saudável hábito de morrer, mas nunca tinha existido este outro hábito, tão profundamente desumano, de fazer uma reflexão diária acerca de uma doença que mata 5 pessoas por dia (ou 10, ou 20, ou 30) enquanto todos os dias morrem 300 por outras doenças. E nunca tinha existido um tempo em que se deixassem morrer 300 pessoas por dia sem dó nem piedade e sem interesse nenhum por elas, apenas porque a sua morte não vende notícias.

O resto da história? Fica para amanhã. (Mas podes mudá-la.)

Autor Desconhecido

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