Se tudo correr bem, chegarei a velho…

Hoje é um dia de reflexão. Todos os dias são bons para refletir e para celebrar. Mas segundo o calendário hoje faço anos 🙂
Estatisticamente já terei vivido 65% da minha vida. O tempo é demasiado precioso! Se tudo correr bem chegarei a velho …. , mas bom mesmo era chegar a velho , ainda novo 🙂

53 anos vividos com muita intensidade

O tempo é demasiado precioso

Um acontecimento terrível, como perder alguém próximo e de quem gostamos muito, pode ter o condão de nos despertar. Ninguém com os princípios, valores e crenças incutidos pela nossa sociedade quer morrer. Mas vai acontecer. O tempo é demasiado precioso. É limitado e vai acabar. Ter noção da nossa mortalidade retira-nos a ansiedade, mantém-nos ligados a tudo o que é relevante e faz-nos evitar cair na armadilha de que temos algo a perder. Não há nada a perder. As expectativas dos outros e o medo do fracasso são irreais e desvanecem-se perante a morte. Faz um favor a ti próprio: não desperdices os teus dias a viver a vida e a verdade dos outros.

E é nesse preciso momento, quando deixas de te distrair, e começas a pensar no que andas cá a fazer, que vais ser assaltado por um desejo de viver de acordo com um propósito. De ter uma causa maior pela qual valha a pena lutar e viver.

Quantas mais pessoas perdidas vejo, mais certeza tenho que estão a complicar. A vida é simples. Mas muitos de nós levamo-la demasiado a sério e atribuímos demasiada importância a nós próprios.

Se tudo correr bem, chegarás a velho…

Será que quando lá chegares queres ter o desespero de sentir que desperdiçaste a tua vida?
Que viveste uma vida de acordo com as expectativas dos outros?
Que trabalhaste demasiado e sem manifestares os teus dons e talentos?
Que te fartaste de engolir sapos e nunca expressaste às pessoas que te rodeavam o que sentias verdadeiramente?
Que perdeste contacto ou te zangaste com os teus melhores e mais antigos amigos?
Que levaste a vida demasiado a sério e não te permitiste ser mais feliz?
Que perdeste as pessoas que amavas?
Que abdicaste de algo ou alguém significativo apenas porque te pareceu difícil ou por comodismo?

Há uma elevadíssima percentagem de pessoas que vive distraída e deixa os dias passar. Esforçam-se por não sofrer, que é exatamente o oposto de estar feliz. E quando se aproximam da morte estes sentimentos agudizam-se. Mas deixa-me dizer-te uma coisa, que acho que já sabes. Nessa altura é demasiado tarde. Hoje é o dia para mudares a tua vida. Águas passadas não movem moinhos. O presente é a tua maior dádiva.

Dar um sentido

Dar um sentido ao que fazemos é incrivelmente importante para a satisfação, para a longevidade, para a motivação e até resiliência, mas não é um destino que o cosmos traçou para vivermos neste planeta. O sentido, no limite é uma decisão. Uma decisão fundamental.

A ciência demonstrou que quem identifica um propósito, tem uma vida muito mais feliz e preenchida. A experiência de o viver é muito significativa, pois as pessoas sabem o porquê de fazerem o que fazem.

Os seus comportamentos ficam alinhados com as suas crenças, referências, preferências e expectativas. Nunca sentem que estão a remar contra a maré. Antes pelo contrário. Fluem na corrente da vida. Têm a sensação que não desperdiçam tempo, e que o investem com elevado retorno naquilo que é realmente importante. Porque quem tem um sentido para a sua vida, conhece as suas prioridades e nunca tem a sensação de vazio nem se sente perdido.

Ikigai

Na língua Okinawana não há uma palavra para descrever reforma. No entanto os habitantes de Okinawa têm uma palavra ‘ikigai’ que traduzida significa aproximadamente “a razão pela qual acordamos de manhã”. Quem tem essa razão, tem um sentido, um propósito. Os vários centenários de Okinawa têm razões, muitas vezes simples, mas suficientemente poderosas para se manterem entusiasmados e com vontade de viver. Não é à toa que mantêm a saúde mesmo depois dos 100 anos. Um dos homens de Okinawa com 102 anos revelou que o seu ikigai é ajudar os seus alunos a tornarem-se mestres de Karaté. Um pescador de 100 anos confessou que o seu ikigai é pescar para alimentar a sua família e para uma senhora de 102 anos é tomar conta da sua tetraneta. Independentemente da nossa opinião, todos eles têm uma razão para acordar todos os dias. Que é o que se pretende. Uma razão suficientemente forte para fazermos o que fazemos. Que dê um sentido à vida. Que vá para além de nós e da experiência do momento.

O teu propósito

E o teu propósito qual é?
Qual é a razão que te faz levantar todos os dias motivado e cheio de energia?
Porque razão fazes o que fazes?
Qual é o teu ikigai?
A tua causa?

O objetivo é que, a cada momento, sempre que te imaginares no fim da vida, possas pensar “faria tudo exatamente da mesma maneira”. Significa que estás no caminho certo.
Subscrevo a afirmação de  Martin Luther King: “Quem não tem uma causa pela qual morrer não tem motivo para viver”.

Pensa nisto.

Independentemente de estares de férias ou a trabalhar, desfruta. A vida é muito curta e significativa para ser desperdiçada!