Alcochete, o refúgio para quem procura viver bem e mais barato que em Lisboa

Os efeitos da pressão imobiliária que se vive, atualmente, em Lisboa começam a estender-se para o outro lado do Rio Tejo. Alcochete é um dos concelhos da Margem Sul a sentir este contágio, com a procura e os preços da habitação a crescer, em paralelo com a retoma (ainda tímida) da construção – com destaque para os empreendimentos de alta gama. A proximidade da capital e as caraterísticas do município estão, segundo apurou o idealista/news, a fazer de Alcochete, cada vez mais, um refúgio de investimento para quem quer “viver bem” e mais barato que em Lisboa.

O município está “a sofrer os efeitos da pressão residencial e turística em Lisboa, que obrigou a procura a estender-se à outra margem”, analisa o presidente da Câmara de Alcochete. Em declarações ao idealista/news, Fernando Pinto diz que “Alcochete é um lugar aprazível, seguro, tranquilo, com excelentes condições para quem queira cá viver” e que “toda esta conjugação de fatores fez crescer a procura e o consequente aumento de preços”.

Nova construção a retomar com projetos de qualidade

No que se refere ao parque habitacional, o autarca conta que “o mercado da construção parou com a crise e a intervenção da troika e está a aproveitar este momento de melhoria económica para retomar o seu crescimento normal equilibrado com a procura”. Em relação a novas construções, diz que “o crescimento é razoável mas não extraordinário”, ainda assim “os últimos empreendimentos privados são em habitação de alta qualidade”, junto ao estuário do Tejo.

Esta é uma deia partilhada pelo diretor de Empreendimentos da Quintela e Penalva Real Estate, Jorge Costa, que considera que a oferta e a procura na zona sul, nomeadamente em Alcochete, como “sendo um refúgio saudável tanto de investimento como solução para um mercado mais acessível e vivível a dois passos de Lisboa”. O fato de os valores serem “mais baixos que no centro de Lisboa” e as acessibilidades serem “óptimas”, torna este município “num local perfeito para se viver”.

Para Jorge Costa o Tagus Bay é o exemplo claro dessa realidade: “o local perfeito para se viver, mais uma vez as acessibilidades são óptimas, o condomínio é moderno, tem tudo para que se possa viver de uma forma equilibrada, tanto no inverno como no verão. As áreas dos mesmos são muito generosas, as tipologias visam atingir vários targets, desde o T1 ao T4, o que faz com que seja possível a habitação para um solteiro como para uma família com um agregado significativo”. Dos novos projetos que estão a ser comercializados nesta cidade, com relevância, está ainda num misto de hospitality e residencial o Praia do Sal – Lisbon Resort. Ambos pertencem ao Grupo Libertas.

O preço médio desta zona reflete, segundo o especialista da Quintela e Penalva, “uma baixa qualidade da oferta, entre os 1500 e 2000 euros por metro quadrado (m2), embora os  “novos projectos aumentam a qualidade da oferta e pressionam os preços a aumentar a casa dos 3000 euros/m2”.

O autarca de Alcochete faz a ressalva para uma outra realidade, a da reabilitação que, conforme diz, “felizmente, tem sido notável”, “muita e de qualidade”. E dá como exemplo os bairros típicos que “estão mais bonitos, renovados e com habitação melhor qualificada sem contudo perderem as suas características de arquitetura tradicional”.

Um dos concelhos mais ricos da Grande Lisboa

Além disso refere que este “não é um concelho de grande carência de habitação social o que não significa que, sempre que necessário, a câmara esteja atenta a futura criação de fogos para esse fim”. Recorde-se que o Instituto Nacional de Estatísticas em 2017 (dados reportados a 2015) avançava que Alcochete encontrava-se entre os municípios mais ricos da Área Metropolitana de Lisboa.

Quanto ao investimento, avança que “estamos a equilibrar as contas do município e a breve trecho teremos seguramente novos investimentos a realizar”, neste momento “estamos na fase de avaliação para fazermos as coisas certas e não apenas investir por investir”. Sem levantar a ponta do véu diz que existem “projetos nos quais estamos a trabalhar que em devido tempo serão anunciados”.

Há um hotel a nascer em Alcochete

Neste momento, Alcochete tem um hotel no centro da vila de grande qualidade arquitetónica que está a ser construído. O projeto de reabilitação e ampliação de um conjunto de edifícios construídos em várias fases, a partir do início do século XX, no centro histórico de Alcochete pertence ao atelier OODA.

As informações avançadas por este atelier de arquitetura ao idealista/news revelam que a edificação térrea que faz gaveto entre a avenida dos Combatentes da Grande Guerra e a rua Padre Cruz aparenta “ter servido originalmente como armazém de indústrias de atividades, possivelmente, relacionadas com a proximidade do rio ou com a proximidade de quintas cuja a produção agrícola necessitava também de armazenamento”. Já a edificação a sul, que faz também gaveto entre o largo Almirante Gago Coutinho e a rua Padre Cruz, terá albergado no piso térreo “um lagar e serviria também como armazém de azeite” e no piso superior “deverá ter servido em tempos como parte administrativa do negócio agrícola, originalmente instalado no edifício”.

Este conjunto vai ser transformado num hotel com 30 quartos (localizados no 1º e 2º piso), um restaurante, um bar/receção e um pátio/jardim (localizados no piso térreo) e 13 lugares de estacionamento, lavandaria, arrecadação do restaurante e balneários do pessoal do hotel, num piso de cave a construir.

O OODA afirma que “pretende conservar as fachadas existentes”, nomeadamente os “elementos construtivos tradicionais como o tijolo burro e argamassas toscas”, mas introduzindo “um desenho contemporâneo que permita estabelecer a ligação entre as duas épocas distintas, sem imitar o existente, mas interpretando-o”.

Restauração de qualidade

Por outro lado, o comércio tradicional mantém as suas características e a restauração cresce em quantidade e qualidade diversificando a oferta. Alcochete tem ainda um parque logístico estável que tem crescido mais pela sua excelente localização do que propriamente pela pressão da procura.

A Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa e a Associação de Turismo de Lisboa vão disponibilizar uma verba para apoiar a comercialização e venda dos produtos das empresas dos municípios da Centralidade Arco do Tejo. Segundo o governante esta medida poderá vir a reforçar ainda mais o comércio de um destino de compras que já é Alcochete. Até porque, como diz, “todas as medidas de incremento de novas oportunidades contribuem decisivamente para aumento do volume de negócios das empresas e reforçam a relação estreita com o município”.

Novo aeroporto com pouco peso no imobiliário da zona

Fala-se muito do novo aeroporto do Montijo mas conforme o idealista/news verificou esta infraestrutura ainda não teve ainda impactos diretos no imobiliário da região, ao contrário da referida pressão residencial e turística que se vive em Lisboa.

A propósito do novo aeroporto, o presidente da Câmara Municipal de Alcochete, Fernando Pinto, diz que sempre considerou que “a melhor solução seria a construção de uma cidade aeroportuária na região em substituição do atual aeroporto de Lisboa”. Tendo em conta os constrangimentos financeiros para uma obra de tal dimensão, considera “a utilização da BA6 como infraestrutura de apoio ao Aeroporto Humberto Delgado uma solução perfeitamente aceitável desde que, como frisou o Primeiro-Ministro António Costa, o estudo ambiental cumpra os requisitos que permitam a sua construção”. Acrescentando que “cabe à autarquia potenciar os efeitos positivos dessa obra e minimizar os efeitos negativos”.

Questionado sobre o fato de esta infraestrutura ir viver a paredes meias com o Estuário do Tejo, diz que “não é caso único” e que “há que fazer opções e tomar decisões desde que devidamente acautelada a questão ambiental”. Recorda que “com a construção da Ponte Vasco da Gama muito se comentou sobre questões que nunca se vieram a verificar”. Por isso, defende que “há que olhar com serenidade para estes investimentos de importância nacional e não pensarmos apenas no nosso território. A prioridade é salvaguardar o bem-estar dos habitantes do concelho, mas também é importante não impedir que este se desenvolva, gere riqueza, emprego e melhores condições de vida. Aguardamos o desenvolvimento do processo e estamos atentos”.

Na relação entre o anúncio do novo aeroporto e potenciais impactes nas alterações ao imobiliário em Alcochete, Fernando Pinto diz que não detém “dados claros que permitam afirmar que o aumento de preços verificado em Alcochete, seja resultado direto da possível construção do aeroporto na BA6”.

Fonte: Idealista

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